Leitor Caio entrevista MVG – Parte 1

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Oi,

Tenho seguido o blog do mvg. Ele escreve coisas bastante interessantes. Ele resolveu publicar uma entrevista com temas muito pertinentes ao processo de autoconhecimento do homossexual. Achei interessante reblogar. Espero que gostem. Visitem seu blog e o sigam também!

Um abc,

Minha Vida Gay

Um dos leitores participativos no Blog Minha Vida Gay elaborou um tipo de entrevista para que eu contasse um pouco mais da minha vida, saindo um pouco das reflexões que faço por aqui sobre minhas experiências e percepção de mundo, para entender um pouco mais da história que me fez chegar até aqui: gay, emancipado e satisfatoriamente resolvido por ser assim.

Os textos que contam passagens da minha vida, com foco principal na minha homossexualidade, ficaram longos (não totalmente desprovidos de minhas reflexões de mundo – rs) e, assim, resolvi dividir a entrevista por temas que estarão aqui em sequência.

Vamos lá:

Caio: Algo que sempre vem à tona quando nós confirmamos ou formalizamos o conceito de homossexualidade (nos auto-aceitamos como tal) é tentar olhar para trás e buscar a origem disso. Bom, pelo menos a maioria tenta. Então, quero saber de você desde que momento você tem lembranças de…

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Bem, o blog é recente, e eu só tenho falado de coisas sérias. Mas, eu sou uma pessoa extrovertida. E, entre meus poucos amigos que sabem de mim, eu brinco muito comigo mesmo e com minha condição gay.

Eu morri de rir com esse vídeo e gostaria de deixar claro aqui que estou reblogando de outro, apenas com o intuito de brincar, sem fazer apologias a nada.

Apenas para descontrair mesmo!

Um abraço.

Religião X Religiosidade X Pecado X gay

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Imagem

Olá,

Copiei a figura em anexo do Facebook. Achei interessante a charge, porque ela reflete exatamente como eu me sentia quando frequentava a igreja.

Me sentia o tempo inteiro apontado por todos aqueles que pareciam tão certinhos, mas que eu tinha certeza de que não eram, pois, afinal, somos humanos e pecadores.

Sempre refleti na postura de Jesus ao desenhar no chão, enquanto os Fariseus apontavam Maria Madalena, prostituta, encontrada em plena consumação do pecado (adultério), ou seja, uma pecadora. Adultério, nessa sociedade machista, era o fato de a mulher estar mantendo relações sexuais com alguém que não era o seu marido, e em troca de algum pagamento.

Para os menos estudiosos da Bíblia, os Fariseus eram o povo que estudava a fundo as leis de Moisés. E, para ajudar na compreensão dos Dez Mandamentos (as Leis de Moisés), eles criaram regras paralelas, para “melhor” a cumprirem.

Eles se consideravam doutores na lei, e, portanto, detentores de todo o conhecimento. Jesus, Judeu, já conhecido como o Messias da profecia de Elias, veio mostrar que a Lei era possível de ser cumprida e era simples, sem a necessidade de tantas leis paralelas.

Os Fariseus seguiam as leis, portanto, eram considerados Legalistas. Jesus, Filho de Deus, membro da Trindade, Criador do Céu e da Terra, era a personificação do amor. O Próprio Deus, como segunda pessoa da Trindade, presente na Terra, para redimir o Ser Humano do pecado Original, a desobediência a Deus, conforme previsto por Elias, e confirmado a Maria, pelo anjo Gabriel, em visão.

Jesus costumava olhar e tratar o ser humano com compaixão. Com Maria Madalena, não foi diferente. Enquanto, os Legalistas queriam matar imediatamente a pecadora, fazendo justiça com as próprias mãos, assumindo o papel de Deus, Jesus deixou que eles falassem sozinhos, e continuou escrevendo, até que, um por um, foram deixando o local, e só ficaram Maria Madalena e Jesus, que não a condenou.

Muitas vezes, em nome da Religião (conjunto de doutrinas), deixamos de viver a Religiosidade (prática da doutrina). Assim como os Fariseus, vivemos, muitas vezes, a lei (Religião) e nos esquecemos da compaixão, do amor ao próximo, fraternidade, e, acima de tudo: que somos iguais àqueles aos quais apontamos como pecadores.

Penso que o maior símbolo da Justiça Divina seja a condição de pecador. Para Deus, não existe a noção de tamanho de pecado. O que realmente importa é que houve o pecado. Segundo a Bíblia, no livro de Hebreus, a definição de pecado é a transgressão da lei (os Dez Mandamentos). O resto, é criação farisaica do Homem.

Graças a Deus, nos Dez Mandamentos, não há absolutamente nada que se refira à nenhum tipo de prática sexual!

Seria muito bom, se vivêssemos mais a nossa Religiosidade, e não nos apegássemos tanto à Religião.

Abraço.

Apenas para agradecer

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Olá,

Hoje, estou aqui apenas para agradecer. Vou escrever rápido. Quando eu iniciei o blog, eu o fiz, porque precisava escrever, já que falar sobre ser gay já era tranquilo. O início foi complicado. Eu ficava muito nervoso em tocar no assunto e ficava muito abalado emocionalmente. Hoje, isso já não acontece mais e conversar sobre o assunto é bem tranquilo.

Não faço terapia há muitos anos. Confesso que tenho preguiça. Tive um ótimo terapeuta que me ajudou muito, mas nos tornamos amigos, e, desde então, deixei de ser seu paciente.

Confesso que me sinto bem, e não vejo mais a necessidade de mantê-la. Quando tenho alguma necessidade, converso com um amigo, leio alguma coisa e reflito, sem que precise recorrer a um terapeuta. Não tenho tido questões para um terapeuta. Os psicólogos de presente certamente discordarão da minha opinião, risos!

Mas, sempre quis escrever um livro para contar um pouco da minhas história. O objetivo desse livro seria apenas sensibilizar meus irmãos de igreja quanto ao tema do homossexualismo e a dificuldade de ser gay, para que eles pusessem o Cristianismo mais em prática e se atentassem para a questão com uma visão mais acolhedora e menos preconceituosa.

Mas, escrever um livro demandaria uma assinatura, encontros com editores, lançamento, e, sinceramente, não sou assumido a esse ponto. Prefiro o anonimato mesmo.

Assim, resolvi me atualizar, aderir à tecnologia e escrever um blog. Pesquisei um pouco como se fazia para se garantir o anonimato de quem está por trás do blog e eis-me aqui.

No início eu achava que ninguém iria ler o que eu estava escrevendo, porque não haveria importância para ninguém.

Mas, já recebi tantos comentários positivos de pessoas que se dizem ajudadas pelo que escrevi, que até fico de bola cheia. Mas, na verdade, fico feliz, por estar abrindo um espaço neutro e que está sendo lido e usado por pessoas que se interessam pelo tema.

Quero, portanto, agradecer a todos que já leram o blog, e deixaram seus comentários. Volta e meia eu recebo palavras de ânimo e esperança e isso me deixa feliz em saber que o que escrevo tem alguma utilidade para alguém.

Obrigado por sua visita, e contribuição.

 

Um abraço.

A importância de se ter um amigo, especialmente para o gay.

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O ser humano necessita de amigos. Somos seres sociais. Necessitamos da convivência com outros seres humanos.

São os amigos que nos divertem, nos fazem refletir, nos chamam a atenção para aquilo que não enxergamos, conversam, debatem, passam tempo conosco e também são nossos confidentes.

Para o gay, penso que a importância do amigo seja quase igual a importância de um acompanhamento psicológico. Mas, não pode ser qualquer amigo. Deve ser “aquele” amigo, ou “O” amigo. O gênero pouco importa. Estou falando aqui da cumplicidade da amizade.

Eu tenho duas pessoas que considero no mais alto conceito de amizade. Tenho um pouco a mania de categorizar meus amigos. Isso pode ser loucura, egoísmo. Chamem do que quiserem, mas eu categorizo, pelo simples fato de não expor certos aspectos da minha vida, que podem ser tratados de maneira não tão cuidadosa, quanto eu cuido, pelo simples fato de que amigos são seres humanos, e erram, mesmo não querendo fazê-lo. 

Eu escolho que tipo de coisas posso confiar a um e a outro amigo. Tenho os amigos para quem confidencio coisas relacionadas ao trabalho. Outros para quem confidencio angústias pessoais não ligadas à sexualidade. Outros que sabem muito sobre meus podres amorosos, outros pra quem eu conto minhas desilusões amorosas. Enfim… para cada um, eu conto uma coisa. Pois sei que tipo de coisas essas pessoas são capazes de ouvir sem se escandalizar, e até mesmo de passarem adiante.

Não quero correr o risco de ter minhas confidências expostas para todos. Assim, confidencio pedacinhos para poucas pessoas.

Mas, tenho dois amigos que são mais especiais. Esses sabem exatamente todos os detalhes da minha vida. O primeiro deles, eu conheço há 18 anos. Nos conhecemos, quando eu tinha 20 anos e nunca mais nossa amizade esfriou, independente de distância, do casamento dele, dos filhos, e essas coisas naturais da vida, que nos afastam dos amigos.

O outro, eu conheci há 14 anos. Esse foi meu psicólogo no início. Eu o conheci para tratar da minha sexualidade mal resolvida. Assim, ele sempre soube que eu era gay, e eu fui contando as outras coisas, quando nos tornamos amigos. Quando decidimos que seriamos amigos e não mais terapeuta e paciente, nossa amizade nos permitiu a troca. Antes, era uma via de mão única, obviamente, pela condição de terapia. Agora, ele também divida comigo as suas angústias. Penso que só ganhamos com isso.

Curiosamente, o meu amigo mais antigo (o que conheço há 18 anos), só ficou sabendo das minhas preferências sexuais muito recentemente, há cerca de 7 anos. Por mais amigo que fossemos, eu sempre achei que ele não toleraria saber que sou gay. Mesmo o conhecendo e sabendo que nossa amizade era profunda, por todas as experiências difíceis e positivas que passamos juntos, eu tinha esse medo. Até considero normal, pois eu ainda não tinha muito resolvida a minha sexualidade para mim mesmo, quanto mais para falar disso com outras pessoas, especialmente amigos íntimos, devido ao grau de intimidade que temos, que lhe permitiria perguntar absolutamente tudo sobre o assunto. Perguntas para as quais eu não teria resposta. Não estava preparado para discutir esse assunto com ele, ainda mais correndo o risco de ter que argumentar a favor, defendendo o homossexualismo com ele, que é tão questionador e cheio de argumentos. Profetizamos a mesma fé, então já viu. A velha ideia de Marco Feliciano! Não preciso dizer mais nada! risos!

Mas, um dia, não sei se por ato falho, ou por descuido, inesperadamente, eu escrevi um email para o meu amigo e ex-psicólogo, contando muitas das minhas angústias. Me lembro que eu estava namorando uma menina e estava em conflito por estar mentindo pra ela sobre minha sexualidade, mas ao mesmo tempo, eu gostava dela, mas a parte sexual dava nó na minha cabeça. Eu fazia várias associações no email, sobre o meu comportamento e como me sentia, e as vezes usava comparações e metáforas grosseiras. Eu, quando estou com raiva, uso todos os palavrões existentes e até invento alguns para dar conta de expressar minha raiva e revolta. Esse email foi assim, cheio de palavrões, pois eu estava com muita raiva de mim e de ser gay.

Enfim. O email era para o psicólogo e acabou indo para o meu amigo mais antigo, mas eu não percebi.

Eu gelei, quando recebi a resposta dele. Reli o email, desesperado, pedindo a Deus que eu não tivesse feito aquilo. Mas, constatei que, infelizmente, eu tinha feito. 

Bem, respondi a ele por email. E ele me ligou, quase que no mesmo minuto. Mais uns segundos de angústia até dizer o alô inicial e identificar qual era o estado de humor dele. Mas, ele foi super carinhoso comigo. Me acolheu e me fez chorar de emoção ao telefone. 

Demoramos a nos ver pessoalmente depois desse dia. E, quando nos encontramos, eu estava com um frio na barriga, um medo incontrolável. Tremia por dentro e batia o queixo de tão nervoso.

Quando ele me viu, ele perguntou o porquê de eu estar daquele jeito, se já tínhamos conversado por telefone e eu já sabia qual tinha sido a reação dele. E eu o respondi dizendo que por telefone era uma emoção, mas ao vivo, eu podia ver o rosto e o semblante dele.

E ele me disse que só tinha uma mágoa daquilo tudo e que estava realmente chateado comigo. Fiquei mais gelado ainda, e com o estômago doendo com aquela frase. E perguntei a ele o porquê. E o pedi que não me recriminasse, porque ele era a única pessoa que eu não gostaria que tivesse aquela reação. Até meus pais, eu estou preparado e até espero esse tipo de reação contrária e de revolta, mas dele não.

E ele me disse: Estou magoado, porque você me privou de poder estar com você e de te oferecer meu ombro e meu apoio durante todos esses anos. Eu te contei tudo sobre minha vida e angústias. Você me apoiou em tudo e eu não pude fazer o mesmo por você, não porque eu não quisesse ou não me interessasse, mas porque você não me deixou.

Não preciso dizer que nesse momento eu soluçava de tanto chorar e nos abraçamos, como nunca antes!

Hoje, nós nos falamos e nos apoiamos em nossas fraquezas. Ele me conta as dificuldades que tem e o espinhos em sua carne, e eu conto os meus. E oramos, e falamos do amor de Deus por nós, da Graça confortadora e isso me alivia incrivelmente.

Sou grato a Deus, porque ele me deu dois amigos importantíssimos nessa caminhada solitária do homossexualismo.

Espero que vocês também tenham amigos tão sinceros e importantes, quantos os meus.

Um abraço.

Necessidade de aceitação: exclusividade gay? Até que ponto a Dificuldade está em nossa cabeça?

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O tema da aceitação é bastante complexo e diverso. O gay precisa se aceitar. Precisa se sentir aceito pelos amigos, pela sociedade (trabalho, vizinhos, escola, etc.) e …, por seus pais.

Na verdade, todo ser humano precisa de se sentir aceito. Não fosse assim, não haveriam tantos problemas de autoimagem, autoaceitação, “bulling” e rejeição. Se o indivíduo é obeso, passa por essas mesmas etapas. Se não é bonito, idem, se é deficiente físico, idem. Enfim… Em tempos de cura gay, posso até ser mal interpretado, escrevendo isso (risos!), mas o que quero abordar, é que a necessidade de aceitação faz parte do ser humano.

Iniciei esse post, porque acabei de ter uma conversa com a minha mãe, que me levou a pensar sobre o tema. Geralmente, escrevo aqui baseado nas minhas experiências e, as vezes, o post me vem à cabeça, como um “insight”: todo pronto. Esse está sendo diferente. Estou construindo agora. Não refleti para escrever. Estou escrevendo e refletindo. Pode ser que o resultado não seja assim tão bom, mas, penso que é melhor que não escrever.

Voltando ao tema, o ser humano precisa se sentir aceito; se sentir incluído, parte de um grupo. Somos seres sociais. Então, dizer que você não se importa sobre o que pensam de você, pode não ser, de todo, verdade. A gente se importa, sofre, se martiriza com o que pensamos que os outros pensam de nós.

Mas, talvez, para muitos, assim como para mim, a aceitação por parte dos pais é algo importantíssimo. É como a consolidação da liberdade de ser você mesmo.

Quando estou na presença de amigos que sabem sobre minha sexualidade, me sinto solto, leve, pois posso rir de mim mesmo, olhar para os caras que quero, comentar com eles, que os achei bonitos, falo besteiras envolvendo a minha própria sexualidade. Sou simplesmente eu. Livre!

Hoje, durante a conversa com a minha mãe, ela falava sobre o absurdo da cura gay. Dizia que achava uma loucura alguém achar que a homossexualidade é uma doença. “Uma coisa que a pessoa não escolhe, simplesmente nasce assim”. E ainda me perguntou: “você acha que alguém iria escolher ser humilhado, chacoteado, rechaçado, discriminado? Eu, heim!” Por um momento, até achei que ela tinha lido os meus posts, risos!

Fiquei refletindo…. Será que ela teria a mesma opinião, se soubesse que sou gay? Será que ela tem essa opinião, porque sabe que eu sou gay?  Será que ela desconfia? Será que ela não desconfia e eu posso me abrir, que ela vai entender? Será que ela tá me dando uma dica para eu me abrir? Ou ela não sabe nada, não tá pensando nada, e só tá emitindo a sua própria opinião sobre um assunto que todos estão comentando?

Já ouvi várias vezes de pessoas diferentes, que já passaram pela experiência de contar para os pais sobre suas sexualidades, que no início é complicado, mas depois, foi a melhor coisa que fizeram. Por outro lado, já ouvi que os pais não precisam saber. Já ouvi tantas opiniões, que não sei encontrar a melhor opção para mim. É sempre uma surpresa. Cada um reage de uma maneira.

Só contando para saber. Mas, não sei se quero pagar para ver.

Outra coisa que fiquei pensando é: qual o tamanho real da dificuldade? Será que realmente seria assim tão difícil se eu contasse? Será que eu to superestimando a reação deles? Será que eles realmente teriam essa reação negativa?

Novamente, só contando para saber. E eu não sei se quero pagar para ver.

E nessa de não pagar, tudo fica assim, como está. E, no meu caso, como no de tantos, a gente vai se anulando, se negando a oportunidade de ser feliz, em detrimento deles. No meu caso, eu penso que eu sou capaz de suportar viver sozinho e não me assumir. Mas, não sou capaz de saber que eles sofrem ou se magoaram por não me aceitarem.

Você, que está lendo, é livre para pensar o que quiser sobre mim, ou sobre o que escrevi, mas não pode mudar a minha escolha. Pode me julgar, recriminar e me rotular. Podería até me ajudar, caso me conhecesse e pudesse trocar experiências comigo. Mas, infelizmente, enquanto isso não acontece, eu sigo pensando assim.

Terapia

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Bem, como eu disse anteriormente, terapia seria  um outro tema que daria um bom post.

Eu sempre achei que precisava fazer terapia para poder falar sobre minha sexualidade com alguém. Via programas sobre homossexualismo e ficava cheio de dúvidas. Me achava parecido com o que falavam, mas negava que fosse passar por todas aquelas experiências.

Lá pelos 10 ou 12 anos, minha mãe foi quem me procurou para conversar sobre uma coisa que iria acontecer comigo logo logo. E, usando um livro, falou sobre o ser menino e o ser menina, as transformações advindas da puberdade e sobre o interesse sexual e o ato em si. Fatalmente surgiu a pergunta: E os gays? E ela respondeu que os gays agiam diferente, penetrando o ânus, ao invés da vagina, mas que isso não era uma coisa normal e que ela não entendia como acontecia.

Resolvi me calar e seguir o assunto, pois fiquei com medo daquilo. Não sabia como era esse tipo de prazer. Eu ainda não me masturbava e não via revistas pornô. Não sabia ainda como eram essas coisas.

Enfim, com o tempo, descobri as revistas pornô, e me sentia atraído pelos homens e não pelas mulheres. Aprendi a me masturbar e só sentia prazer, quando pensava no pênis imaginário de alguém que eu achava bonito. E cada vez me sentia mais preso dentro de mim mesmo, sem entender o que sentia.

Achava estranho gostar dos garotos, e tentava ficar com as meninas, mas elas não me satisfaziam, e eram tão dependentes emocionalmente, que me irritava a maneira como se apaixonavam por mim.

Somente aos 25, quando já trabalhava e tinha meu próprio dinheiro, resolvi fazer terapia. Achava que iria me acabar de chorar ao primeiro contato. Tremia só de pensar e falar do assunto ser gay e tudo o que viria por trás disso.

Mas, foi um processo muito interessante e importante para eu crescer como ser humano e aprender sobre a minha sexualidade. Hoje, eu penso que toda pessoa, independente de sexualidade, deveria passar por sessões de terapia para aprender a lidar com suas emoções e a compreender melhor o seu eu interior.

Não digo ficar dependente da terapia. Hoje, eu já não faço mais. Aprendi a lidar com meus processos. As vezes penso em voltar, mas desanimo ao pensar em falar das minhas angústias. Prefiro usar outros métodos, que até o momento tem dado certo: exercícios físicos, conversa com amigos íntimos, leitura, oração, enfim… Acho que cada um deve encontrar sua maneira de lidar com o assunto.

 

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