O tema da aceitação é bastante complexo e diverso. O gay precisa se aceitar. Precisa se sentir aceito pelos amigos, pela sociedade (trabalho, vizinhos, escola, etc.) e …, por seus pais.

Na verdade, todo ser humano precisa de se sentir aceito. Não fosse assim, não haveriam tantos problemas de autoimagem, autoaceitação, “bulling” e rejeição. Se o indivíduo é obeso, passa por essas mesmas etapas. Se não é bonito, idem, se é deficiente físico, idem. Enfim… Em tempos de cura gay, posso até ser mal interpretado, escrevendo isso (risos!), mas o que quero abordar, é que a necessidade de aceitação faz parte do ser humano.

Iniciei esse post, porque acabei de ter uma conversa com a minha mãe, que me levou a pensar sobre o tema. Geralmente, escrevo aqui baseado nas minhas experiências e, as vezes, o post me vem à cabeça, como um “insight”: todo pronto. Esse está sendo diferente. Estou construindo agora. Não refleti para escrever. Estou escrevendo e refletindo. Pode ser que o resultado não seja assim tão bom, mas, penso que é melhor que não escrever.

Voltando ao tema, o ser humano precisa se sentir aceito; se sentir incluído, parte de um grupo. Somos seres sociais. Então, dizer que você não se importa sobre o que pensam de você, pode não ser, de todo, verdade. A gente se importa, sofre, se martiriza com o que pensamos que os outros pensam de nós.

Mas, talvez, para muitos, assim como para mim, a aceitação por parte dos pais é algo importantíssimo. É como a consolidação da liberdade de ser você mesmo.

Quando estou na presença de amigos que sabem sobre minha sexualidade, me sinto solto, leve, pois posso rir de mim mesmo, olhar para os caras que quero, comentar com eles, que os achei bonitos, falo besteiras envolvendo a minha própria sexualidade. Sou simplesmente eu. Livre!

Hoje, durante a conversa com a minha mãe, ela falava sobre o absurdo da cura gay. Dizia que achava uma loucura alguém achar que a homossexualidade é uma doença. “Uma coisa que a pessoa não escolhe, simplesmente nasce assim”. E ainda me perguntou: “você acha que alguém iria escolher ser humilhado, chacoteado, rechaçado, discriminado? Eu, heim!” Por um momento, até achei que ela tinha lido os meus posts, risos!

Fiquei refletindo…. Será que ela teria a mesma opinião, se soubesse que sou gay? Será que ela tem essa opinião, porque sabe que eu sou gay?  Será que ela desconfia? Será que ela não desconfia e eu posso me abrir, que ela vai entender? Será que ela tá me dando uma dica para eu me abrir? Ou ela não sabe nada, não tá pensando nada, e só tá emitindo a sua própria opinião sobre um assunto que todos estão comentando?

Já ouvi várias vezes de pessoas diferentes, que já passaram pela experiência de contar para os pais sobre suas sexualidades, que no início é complicado, mas depois, foi a melhor coisa que fizeram. Por outro lado, já ouvi que os pais não precisam saber. Já ouvi tantas opiniões, que não sei encontrar a melhor opção para mim. É sempre uma surpresa. Cada um reage de uma maneira.

Só contando para saber. Mas, não sei se quero pagar para ver.

Outra coisa que fiquei pensando é: qual o tamanho real da dificuldade? Será que realmente seria assim tão difícil se eu contasse? Será que eu to superestimando a reação deles? Será que eles realmente teriam essa reação negativa?

Novamente, só contando para saber. E eu não sei se quero pagar para ver.

E nessa de não pagar, tudo fica assim, como está. E, no meu caso, como no de tantos, a gente vai se anulando, se negando a oportunidade de ser feliz, em detrimento deles. No meu caso, eu penso que eu sou capaz de suportar viver sozinho e não me assumir. Mas, não sou capaz de saber que eles sofrem ou se magoaram por não me aceitarem.

Você, que está lendo, é livre para pensar o que quiser sobre mim, ou sobre o que escrevi, mas não pode mudar a minha escolha. Pode me julgar, recriminar e me rotular. Podería até me ajudar, caso me conhecesse e pudesse trocar experiências comigo. Mas, infelizmente, enquanto isso não acontece, eu sigo pensando assim.

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