Oi,

Andei meio sumido…. Pensei no que postar, mas não estava encontrando o assunto ideal. Achei que não havia ninguém interessado nos meus desabafos. Mas, fiquei surpreso, pois tenho visto que várias pessoas tem visitado o blog. E isso me deu ânimo. Sou muito de escrever sobre o que sinto. Até comentei com um amigo, que o Blog tinha o objetivo de desabafo, como postei no primeiro post, e, como já tinha postado algumas coisas, acho que esvaziei os sentimentos e andava sem ter o que escrever.

Mas, no Domingo, tive o insight que estava precisando. Assisti ao Filme: “O quarteto”. Um lindo filme, que me emocionou muito. Não entendi porque não concorreu ao Oscar, mas esse é outro assunto. Um filme daquele tipo que você sai chorando do cinema. Especialmente, porque ao final, as imagens mostradas me levaram a uma reflexão profunda. (não vou contar o filme, mesmo sabendo que muitos não o irão ver).

Fiquei pensando em como o nosso tempo de vida é fugaz. Não sou a favor da teoria de que temos que aproveitar cada momento da vida como se fosse o último, apenas, porque devemos aproveitá-lo. Isso me passa a ideia de inconsequência. Mas, de fato, penso que devemos viver. Mas, porque Deus nos deu esse dom, porque é bom poder sorrir, cantar, correr, dançar, estudar, respirar, trabalhar, etc. Vida! É isso que importa!

O filme me levou a refletir que não estou vivendo. Minha vida tem se resumido a trabalho e algumas poucas atividades no final de semana. Tenho uma colega de trabalho, que óbviamente não sabe da minha sexualidade, que me perguntou como eu consigo não sentir, pois nunca falo de relacionamentos, e estou sempre avesso a isso. Para ela, a vida se resume a sentir.

Não é verdade que eu não sinto, senão não estaria aqui, escrevendo e desabafando os meus sentimentos. Eu sinto. E choro. Muito! Quem me conhece acha que eu não tenho problemas, porque sou sempre sensato, racional. Eu me considero uma fortaleza de palha. Por fora, pareço tudo isso: frio, duro, sensato, racional. Mas por dentro….. E com isso, vou deixando de viver!

O filme me fez pensar sobre isso. Não estou vivendo. Porque estou no armário. Na sexta-feira fui jantar com um amigo, que conheci na internet, numa sala de bate papo, há cerca de 7 anos. Nos conhecemos, pela mesma busca. Conhecer alguém na internet, mas nos tornamos amigos, pelo simples fato de que ele é Pastor. Esse “detalhe” nos aproximou, alimentamos uma grande amizade, pois ambos somos protestantes, ele casado, na época, e eu, separado.

Para ele, a coisa era mais difícil, na minha opinião, porque, para exercer o pastorado é necessário que ele seja casado. E ele desenvolve um trabalho fantástico!

Ficamos sem nos encontrar por muito tempo. Recentemente, ele me ligou e disse que gostaria de conversar comigo, pois estava se separando. Marcamos de jantar na sexta.

Imaginei que fosse encontrar um homem arrasado, pois já conhecia os seus sofrimentos em relação ao conflito, como o meu: Gay X Evangélico. Para ele ainda mais conflituoso, pois sua profissão é ser pastor. Deus o abençõou, pois ele tem outra profissão e não vai depender do pastorado para continuar sua vida, após a separação. Para quem não sabe, algumas igrejas evangélicas não permitem que pastores separados continuem seus ministérios por “n” motivos, que não cabe discussão aqui.

Mas, a minha surpresa foi que ele estava feliz, leve, sorridente, cheio de coisas para me contar.

E o motivo disso tudo é simples. Ele está vivendo! Rompeu com a esposa, contou que é gay e saiu de casa, para morar com o amor da sua vida!

Fiquei com muita inveja dele. Não deu para me conter. Mas, uma inveja santa, pois desejo que ele seja muito feliz, mas gostaria muito de viver algo semelhante.

Óbvio que eu pedi autorização a ele para contar a sua história aqui. Amigo, seja muito feliz, você sabe o quanto torço por você e por seu amor.

Quero que saiba, que sua história me fez refletir. Unido ao tema do filme, imaginei como eu quero envelhecer, ao lado de quem…

Enfim, é isso!… Um dia quero encontrar alguém para envelhecer comigo!

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